Pesquisadores do Centro Aeroespacial Alemão (DLR), em parceria com a NASA, acreditam que a utilização de misturas de combustíveis sustentáveis pode minimizar os impactos ambientais causados pela queima de substâncias poluentes nas proximidades de aeroportos e em voos de longo alcance.

A descoberta sugere que os rastros deixados por aeronaves queimando misturas de combustíveis sustentáveis ??podem conter de 50% a 70% menos fuligem e partículas de gelo em comparação com os combustíveis convencionais utilizados por praticamente todas as companhias aéreas do mundo.

“A redução do número de rastros de gelo causa menos deposição de energia na atmosfera e menos aquecimento. Reduções significativas no impacto climático da aviação poderiam ser obtidas a partir da adoção generalizada de combustíveis com baixo teor de substâncias poluentes”, explica a especialista em física atmosférica do Centro Aeroespacial Alemão, Christiane Voigt, autora principal do estudo.

Contrail cirrus

Os motores das aeronaves liberam partículas de fuligem que servem de núcleos de condensação de gotículas e cristais de gelo. Esse fenômeno que deixa um rastro de "fumaça" branca no céu é conhecido na aviação como contrail cirrus. Esses cristais de gelo podem permanecer por várias horas em altitudes que variam entre 8 e 12 km de altura.

Segundo especialistas, esse aquecimento causado pelos rastros dos aviões é maior do que o gerado pelas emissões de dióxido de carbono e óxido nítrico durante a queima do combustível. A combustão incompleta das partículas aromáticas, conhecidas como precursores de fuligem, impede que a radiação infravermelha da Terra se dissipe na atmosfera.

“As nuvens conhecidas como contrail cirrus têm um impacto maior no clima do planeta do que todas as emissões de dióxido de carbono acumuladas na atmosfera ao longo dos últimos 100 anos”, afirma o diretor do Departamento de Física Atmosférica do DLR, Hans Schlager, coautor do estudo.

Os testes

Para comprovar a teoria, os pesquisadores mediram os cristais de fuligem e gelo nos rastros gerados por Airbus A320. Eles usaram cinco misturas diferentes de combustíveis, variando as quantidades de compostos sustentáveis que foram adicionados em combinações distintas.

Ao analisar os rastros deixados pela aeronave, eles descobriram que as trilhas de condensação produzidas com o uso de biocombustíveis continham menos fuligem e cristais de gelo maiores. Além disso, esses restos de combustão incompleta do avião geravam um aquecimento muito menor na atmosfera.

“Nossos resultados abrem caminho para a criação de um combustível de aviação avançado, que possa reduzir os impactos ambientais. É uma nova abordagem, que propõe a utilização de biocombustíveis para combater o aquecimento global e todos os problemas que derivam da queima de combustíveis fósseis”, conclui Christiane Voigt.

Fonte: Canaltech 21/06/2021

 

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