Visão global: Mercado de petróleo
Por Diesel Economics
O mercado global de petróleo continua sendo pressionado principalmente pelas restrições de oferta e pela forte redução dos estoques mundiais. Embora exista divergência entre as projeções de demanda, a Organização dos Países Exportadores de Petróleo (OPEP) mantém uma visão relativamente otimista para a economia global e espera crescimento do consumo de petróleo para 105,8 milhões de barris por dia (mb/d) em 2026 e 108,2 mb/d em 2027, impulsionado sobretudo pelas economias asiáticas. Em contrapartida, a Agência Internacional de Energia (IEA) revisou para baixo suas expectativas para 2026, mas também prevê recuperação ao longo de 2027. Na prática, as incertezas em torno da demanda têm sido ofuscadas pelo desequilíbrio provocado pelas limitações de oferta.
O lado da produção segue sendo o principal fator de suporte aos preços. Os conflitos e problemas de segurança no Oriente Médio continuam retirando volumes significativos do mercado, enquanto gargalos logísticos e restrições de exportação mantêm a disponibilidade global abaixo do necessário para recompor os estoques. Ainda que Estados Unidos, Brasil, Canadá e Argentina sigam ampliando sua produção, tanto a IEA quanto a EIA (Administração de Informação de Energia dos EUA) avaliam que a normalização da oferta deverá ocorrer apenas gradualmente ao longo de 2027. Esse cenário ajuda a explicar a permanência do Brent próximo de níveis historicamente elevados e a manutenção de margens robustas para o setor de refino.
Os estoques continuam reforçando a percepção de um mercado estruturalmente apertado. Segundo a IEA, os estoques globais acumulam queda superior a 500 milhões de barris desde fevereiro, enquanto a EIA estima uma redução próxima de 400 milhões de barris ao longo de 2026. Na mesma direção, o JPMorgan calcula que os estoques mundiais de petróleo recuaram de cerca de 7,6 bilhões de barris em junho para 6,8 bilhões de barris atualmente, representando uma redução de aproximadamente 800 milhões de barris em poucos meses. Essa forte drenagem dos estoques tem limitado a força das cotações, mas a piora do tráfego em Ormuz somada a intensificação do conflito pressionam esse limitador e resultam em cotações acima dos $100 dólares por barril do brent.
No mercado de derivados, o diesel permanece como o principal ponto de atenção. Os baixos estoques globais de destilados, a menor disponibilidade de petróleo do Oriente Médio, as restrições às exportações russas e a limitada capacidade adicional de refino continuam pressionando a oferta, especialmente na Europa e nos Estados Unidos. Para os próximos meses, a tendência segue construtiva para os preços do petróleo e dos derivados, uma vez que a redução dos estoques e os riscos geopolíticos permanecem dominando a formação de preços. Apenas em 2027, com a recuperação gradual da produção global, o mercado poderá iniciar um processo mais consistente de recomposição dos estoques e reequilíbrio entre oferta e demanda.
Precificação dos Combustíveis
Brent / WTI / QAV / Avgas
Comparativo 2025
Em 2025, os preços do petróleo e dos combustíveis de aviação apresentaram comportamentos distintos. As médias anuais do Brent e do WTI recuaram para US$ 68,07 e US$ 64,73 por barril, respectivamente, quedas próximas de 15% em relação a 2024. O movimento foi mais acentuado no segundo semestre, com o Brent encerrando dezembro em US$ 61,56 por barril e o WTI em US$ 57,82.
O QAV acompanhou parcialmente essa trajetória, mas com menor intensidade. O preço médio passou de R$ 3,78/litro em 2024 para R$ 3,63/litro em 2025, redução de 3,9%. Após atingir R$ 4,16/litro em fevereiro, os preços recuaram e permaneceram entre R$ 3,33 e R$ 3,64 por litro durante o restante do ano.
A Avgas apresentou maior estabilidade em 2025, com média de R$ 5,95/litro, mesmo patamar dos R$ 5,92/litro registrados em 2024. Os preços permaneceram acima de R$ 6,00/litro durante o primeiro semestre de 2025, mas recuaram gradualmente nos meses seguintes, encerrando dezembro em R$ 5,48/litro.
2026 – 1° SEM
No primeiro semestre de 2026, entretanto, houve uma mudança significativa nessa trajetória. Entre fevereiro e maio, o Brent avançou de US$ 69,24 para US$ 102,78 por barril, enquanto o WTI passou de US$ 64,35 para US$ 98,51. Em junho, as duas referências recuaram para US$ 84,30 e US$ 81,46, respectivamente, mas permaneceram acima dos níveis observados no início do ano. Na média do semestre, o Brent alcançou US$ 86,74 por barril e o WTI, US$ 82,08, altas de 22,8% e 21,7% em relação ao mesmo período de 2025.
O aumento do petróleo foi acompanhado por reajustes nos combustíveis de aviação. O QAV passou de R$ 3,28/litro em fevereiro para R$ 6,56/litro em maio, maior valor da série apresentada, e recuou para R$ 5,63 em junho. A Avgas manteve trajetória de alta durante o período, passando de R$ 5,38/litro em janeiro para R$ 7,73 em junho, também o maior valor da série. Apesar de responderem ao cenário internacional, os preços domésticos não acompanham imediatamente ou na mesma proporção as variações do petróleo, pois também são influenciados pelo câmbio, pela política comercial dos fornecedores e pelos custos de produção, importação, distribuição e revenda.
Os combustíveis permanecem entre os principais componentes dos custos operacionais das aeronaves. Por isso, movimentos como os observados no primeiro semestre de 2026 afetam diretamente o custo da hora voada e podem pressionar preços e margens em diferentes segmentos, especialmente na aviação comercial regional, agrícola e geral.
Refinarias
Segundo dados apurados na ANP, 9 refinarias realizam a produção de QAV no país (em ordem decrescente por quantidade de produto produzido):
Refinaria Henrique Lage (REVAP), Refinaria de Paulínia (REPLAN), Refinaria Duque de Caxias (REDUC), Refinaria de Mataripe (REFMAT), Refinaria Gabriel Passos (REGAP), Refinaria Presidente Getúlio Vargas (REPAR), Refinaria Potiguar Clara Camarão (3R POTIGUAR), Refinaria Alberto Pasqualini (REFAP), Refinaria da Amazônia (REAM)
Produção de QAV por refinaria
Já no mercado de produção de Avgas (gasolina de aviação), a demanda é integralmente atendida pela Refinaria Presidente Bernardes, situada em Cubatão, no estado de São Paulo. A RPBC teve 35,3 mil m³ em 2025 e, de jan/26 a jul/26, 24,4 mil m³.
Vendas Internas QAV e Avgas
As vendas internas de querosene de aviação (QAV) alcançaram 7,4 milhões de m³ em 2025, volume 6,1% superior ao registrado em 2024. Em 2026, nos dados consolidados até julho, esse valor já era de 4,4 milhões de m³.
Vendas internas de QAV
As vendas internas de Avgas, por outro lado, somaram 41,8 mil m³ em 2025, 0,3% inferior a 2024. O volume de 2026 até julho soma 25,9 mil m³.
O elevado custo da Avgas, agravado pela inflação e pela logística limitada de distribuição, impacta diretamente a aviação geral e desportiva, tornando sua operação menos viável economicamente.
Vendas internas de Avgas
Market Share QAV
A Vibra Distribuidora, com 60,6% de participação, liderou o mercado nacional de vendas internas de QAV em 2025. Em seguida, destaca-se a Air BP, que ocupou a segunda colocação com 19,3% de participação, enquanto a Raízen figurou em terceiro lugar, respondendo por 19,1% do mercado. Outras empresas ficaram com participação de 1%.
Market Share Avgas
No Market Share das vendas internas de Avgas em 2025, a Raízen se destacou com 31,3% de participação. A Vibra Energia ficou na segunda posição, com 29,3% de participação. A Rede Sol ocupou o terceiro lugar, com 15,8%, seguida pela Air BP com 12,2%. A Gran Petro completou o ranking das principais distribuidoras, com 11,4% de participação no mercado.