O Triângulo Mineiro e o Alto Paranaíba poderão ganhar um aeroporto-indústria antes mesmo da Região Metropolitana de Belo Horizonte (RMBH). As duas regiões estão empenhadas na implantação de um polo logístico que integre ferrovia, rodovia e aeroporto. Já batizado de Projeto Intervales, o complexo promete um novo ciclo de desenvolvimento e oportunidades de negócios estratégicos não só para as regiões, mas também para Minas Gerais e todo o País.

De acordo com o prefeito de Uberaba, Paulo Piau, o projeto, criado pelo G70, grupo que reúne prefeitos de cidades do Triângulo Mineiro e Alto Paranaíba, prevê a criação de uma zona empresarial e a construção do Aeroporto Internacional de Cargas e Passageiros do Triângulo Mineiro e Alto Paranaíba, às margens da BR-050.

“O complexo vai funcionar dentro do conceito de aeroporto-indústria. Para isso, a região já conta com dois portos-secos de grande movimentação, além de uma ZPE (Zona de Processamento de Exportação) e um entreposto da Zona Franca de Manaus”, comentou.

Caso se confirme a construção do terminal, cuja outorga já foi concedida pela União, o Intervales será o primeiro aeroporto-indústria do Estado a entrar em operação, uma vez que o empreendimento do tipo nos arredores do Aeroporto Internacional Tancredo Neves, em Confins, embora tenha sido inaugurado pelo governo estadual em 2014 e depois transferido para a BH Airport, não saiu do papel.

O plano diretor do complexo prevê 700 hectares para construção do aeroporto e uma área anexa, permitindo que o Intermodal nasça com garantias de funcionamento e expansão. Além disso, o polo contará com 762 lotes para empresas e indústrias e áreas reservadas para serviços e comércio.

“Trata-se de uma oportunidade de Minas Gerais estruturar sua produção e agregar valor aos produtos. Queremos aproveitar a infraestrutura já existente, o potencial identificado e a ausência de projetos do tipo para sairmos na frente. Mas precisamos do apoio do governo do Estado e do interesse da iniciativa privada”, admitiu.

Investimentos

De qualquer maneira, o prefeito já comemora a presença do Terminal Integrador da VLI, o maior terminal de transbordo de grãos e açúcar do mundo, que recebeu aportes de R$ 250 milhões, bem como o anúncio de outros R$ 30 milhões que serão investidos em breve por uma empresa na área de serviços e a concessão da outorga por parte da Secretaria de Aviação Civil (SAC) para a criação do Aeroporto Internacional de Cargas e Passageiros.

“Somente o aeroporto poderá atrair pelo menos outros R$ 500 milhões. Sem contar o restante de recursos que outros empreendimentos trarão para o município e para a região”, disse enfatizando que a prefeitura já estuda uma maneira legal de situar o projeto em área comum aos 70 municípios integrantes do G70, de maneira que todos se beneficiem futuramente.

Apoio institucional - De acordo com Piau, após ter sido aprovado pelo governo federal, o projeto do aeroporto foi repassado ao governo do Estado, por meio da Companhia de Desenvolvimento Econômico de Minas Gerais (Codemig), para seus possíveis desdobramentos e apoios institucionais.

“Este seria, enfim, o segundo aeroporto de grande porte e bem estruturado de Minas Gerais. Hoje o Estado conta apenas com Aeroporto Internacional de Belo Horizonte, localizado em Confins (RMBH). Nossa ideia é oferecer uma estrutura que atenda a todos os municípios da região”, comentou.

Ainda segundo o chefe do Executivo, não haverá investimento público na construção e nem na operação, sendo a modelagem de negócio com participação da iniciativa privada. Ele revelou ainda que já existem possíveis parceiros interessados no projeto.

Fonte: Diário do Comércio 04/01/2018

  : aviacao-comercial, brasil