A Virgin Orbit realizou o primeiro teste real de lançamento de um foguete a partir de um Boeing 747. O teste marca um importante avanço no programa LauncherOne, que deverá realizar o lançamento de pequenas cargas em órbita baixa utilizando um avião e não um foguete convencional.

O teste foi realizado na base aérea de Edwards, na Califórnia, quando o avião lançador, batizado de Cosmic Girl, soltou o foguete a partir de uma altitude de 35.000 pés. Embora o foguete estivesse completo, incluindo um peso que simulava sua carga futura, o teste foi inerte.

“Neste voo, lançamos pela primeira vez um foguete LauncherOne totalmente construído e totalmente carregado da Cosmic Girl. Nós estaremos monitorando e ensaiando um milhão de coisas, mas este teste é realmente sobre aqueles poucos segundos logo após o lançamento", afirmou a Virgin Orbit, em nota.

O objetivo era assegurar que a separação do foguete da aeronave, em especial primeiros segundos críticos logo após o lançamento, ocorressem de forma planejada, garantindo que o foguete e a aeronave se separassem de maneira limpa. Um dos problemas mais comuns nesse tipo de lançamento experimental é a turbulência da própria aeronave perturbar o lançamento, comprometendo não apenas o foguete, mas também o avião lançador. Aeronaves de combate, misseis e bombas são submetidos a diversos testes similares, até ser comprovada a validação da viabilidade técnica de lançamento.

O voo de teste começou às 8h43 (local) quando o 747 Cosmic Girl decologou do Mojave Air and Space Port, nas proximidades de Edward, com o lançamento ocorrendo si às 9h13 da manhã.

O ensaio marca o avanço do projeto, que havia realizado uma série de voos de teste com o Captive Carry que permitiram que os dados fossem coletados sobre como a Cosmic Girl executaria o voo com um foguete de 70 pés (21,3 metros) sob a asa esquerda.

O teste representa o último grande passo do complexo programa de desenvolvimento iniciado em 2015, focado não apenas em projetar um foguete, mas em prová-lo juntamente com um 747-400 modificado, que serve como plataforma de lançamento em voo.

“O lançamento foi extremamente suave e o foguete caiu bem. Houve uma pequena rolagem com a aeronave, exatamente como esperávamos ”, observou o tenente-coronel Latimer, que acompanhou o voo. “Tudo ocorreu conforme vimos nos simuladores, na verdade, a dinâmica de lançamento e as qualidades de manuseio da aeronave foram melhores do que esperávamos”.

A Virgin Orbit espera concluir nos próximos meses o processo de ensaios e certificação, iniciando em seguida os primeiros lançamentos comerciais. A empresa acredita que ao utilizar um avião voando acima dos 35.000 pés será possível reduzir consideravelmente os custos de lançamento especiais, além de permitir escolher o melhor local para cada missão.

Fonte: Aero Magazine 10/07/2019

 

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